.
Não,
não é o novo modelo da Land Rover
para o Dakar de 2009.
Famoso na Irlanda, o Shorland não é
um modelo muito conhecido do grande público
português, mas também andou por terras
lusas. Aparecendo fugazmente, na maior parte dos
casos, a sua simples presença tinha a capacidade
de acalmar os ânimos mais exaltados, evitando
recorrer ao uso da força.
.
.
Designado
"Shorland Armoured Patrol Car", foi
concebido no início dos anos 60 por um
oficial da Polícia chamado Ernie Lusty,
tendo sido fabricado pela "Short Brothers
and Harland" em Belfast, na Irlanda do Norte.
para dotar o "Royal Ulster Constabulary",
de uma ferramenta eficaz para patrulhar a fronteira
da Répública da Irlanda e combater
o contrabando, tendo entrado em serviço
no ano de 1965.
.
.
A
foto apresenta o primeiro protótipo fabricado
pelos irmãos Shorts.
Construidos sobre o chassis do Land Rover Série
II, donde decorre o nome Shorland, com que o modelo
fo baptizado, e que resulta da união de
Shorts com Land. As primeiras unidades entregues
ao "Royal Ulster Constabulary" foram
fabricadas pelos Short nos Estaleiros Navais de
Belfast e por isso mesmo exibiam uma pintura cinzento
"navio de guerra"
.
.
Várias
foram as versões que se seguiram: o Mark
1 e o Mark 2 com base Series II A 109", o
Mark 3 com base SB 301 Séries III 109",
o Mark 4 com base SB401 Stage 1 V8.
.
.
Para
um veículo com estas caracteristicas, a
militarização foi uma consequência
natural, e se a versão original utilizava
a base civil do Series II 109", as versões
posteriores já utilizavam veículos
de especificação militar. No tejadilho
foi montada uma torre tipo Ferret com capacidade
para abrigar uma metralhadora.
Depois de intensa utilização em
Belfast nos anos 60 e 70, foram repintados de
côr verde "militar" e atribuidos
ao "Ulster Defence Regimenent".
.
.
A versão original tornou-se conhecida não
só pela sua torre Ferret, mas também
pela cauda tipo barco ("boat tail"),
no entanto esta configuração era
algo limitadora pois restringia a sua tripulação
a três pessoas: o condutor, o observador
e o artilheiro.
.
.
Em
termos operacionais, trata-se de um veículo
ligeiro, rápido, com excelentes capacidades
de todo-o-terreno, que possibilitam a sua utilização
em missões de reconhecimento, sendo suficientemente
versátil para a instalação
de armamento diverso. Quando dotada de lança-granadas,
torna-se muito eficaz para missões de ordem
pública.
.
.
Actualmente
versões melhoradas, com blindagem mais
resistente, utilizando já o modelo 110
como base, dotadas suspensão de molas helicoidais,
e com plataformas de armas tão avançadas
como os actuais lança-mísseis, mantém-se
em estado de prontidão em teatros de operações
em diversas partes do globo.
.
.
No
entanto, devido à limitação
da configuração original e à
imagem demasiado bélica da torre Ferret
dotada de Metralhadora e/ou lança granadas,
considerada pouco apropriada para o patrulhamento
policial urbano, mesmo em situações
que exigem uma intervenção mais
musculada, foram desenvolvidas novas versões.
.
.
As
versões mais recentes utilizam como base
o chassis 110", com motorização
V8 a gasolina, tem uma blindagem reforçada
com paineis de aço duplos, e tejadilho
reforçado, para maior protecção
contra engenhos explosivos arremessados dos prédios.
.
.
Entretanto
a "Royal Ulster Constabulary", actual
"Police Service of Northern Ireland",
aproveitando o conhecimento e experiência
de Ernie Lusty, começou a conceber e a
aperfeiçoar os seus próprios veículos,
sendo o mais recente conhecido como "Tangi",
abandonando definitivamente o cinzento e utilizando
cores mais "civilizadas": branco, com
listas azuis e amarelas.
.
.
Quando
era miudo lembro-me perfeitamente de assistir
fascinado à passagem de pequenas colunas
de Shorland da GNR a atravessarem o Campo Santana,
rumo a Sta. Barbara. Há poucos anos atrás
tive oportunidade de apreciar um exemplar no stand
da GNR na Segurex. É frequente encontrar
estes carros em eventos em que participe a GNR.
.
.
A
empresa Portuguesa BRAVIA, SARL. fabricante do
famoso Chaimite, produziu um veículo muito
semelhante, utilizando igualmente um chassi Séries
II A. Trata-se do denominado Bravia Commando MK
III, construido em Portugal, na fábrica
de Porto Alto. Embora certas fontes indicassem
que este modelo teria estado ao serviço
da GNR e de algumas unidades do Exército,
tal não é verdade, sendo hoje ponto
assente, que o veículo adoptado e utilizado
pela Guarda durante muitos anos terá sido
o Shorland, sendo que o modelo português
apenas terá sido comercializado para dois
países Africanos não identificados,
desconhecendo-se datas e quantidades.
.
.
Nos
números 1/2005 e 2/2005 da Revista da Guarda,
pode-se ler :
Citação:
Assim, decorria em ritmo acelerado, sobretudo
depois do 16MAR74, o processo de aquisição
de carros de patrulha blindados “Shorland,
Mark III”. Foi recebido um em 13MAR74 e
mais dois em 09ABR74. Os restantes 35 foram entregues
ao 2.º Esquadrão do RC/GNR, em 12MAR75(...).
.
Citação:
(...) o processo de aquisição das
viaturas blindadas “Shorland” (destinadas
a substituir as auto-metralhadoras “Berliet
6x6 WWB4”, que datavam dos finais dos anos
30 e as auto-metralhadoras “Humber MK IV”,
que datavam do início dos anos 50) apenas
carece das seguintes correcções:
foram adquiridas na Irlanda do Norte, 38 e não
55 viaturas blindadas e o custo unitário
foi de 1.309.524$00 e não os mil contos
referenciados. Estas viaturas tomaram parte, logo
a seguir ao 25 de Abril, em diversas acções
da Guarda, em todo o território nacional,
com destaque no envolvimento na apelidada “Reforma
Agrária”, obtendo pela sua acção
ou somente pela presença, importante papel
na manutenção/restabelecimento da
ordem pública.
.
.
Patch da GNR
Os Shorland encontram-se em serviço em
mais de 40 países, incluindo Argentina,
Bahrein, Botswana, Brunei, Burundi, Chipre, Guiana,
Quénia, Lesoto, Líbia, Malásia,
Mali, Síria, Tailandia, Emirados Arabes
Unidos.
Vasco Martins dos Santos
http://technorati.com/claim/puaw5i7x33.
|